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Tudo que precisa saber sobre Exterogestação!

  • Foto do escritor: Talita Silva
    Talita Silva
  • 12 de jul. de 2021
  • 4 min de leitura

Essa teoria foi criada pelo antropólogo Ashley Montagu e muito difundida pelo Pediatra chamado Harvey Karp e ela fala basicamente de um gestar fora do útero, mas o que seria esse gestar?

Ashley Montagu identificou que dentre todos os mamíferos o ser humano é o que nasce mais frágil, mais dependente, de certa forma “incompleto” e ele justifica esse fator com o fato de que, observando na evolução da raça humana, quando saímos da posição de quadrupedes (andar com pés e mãos) e passamos para a posição bípede (andar sobre as pernas apenas) tivemos um estreitamento da nossa bacia, sendo assim não existiria a possibilidade de se ter uma gestação completa, pois o desenvolvimento do bebê seria incompatível com esse estreitamento da bacia (bebê grande demais para o tamanho atual da bacia) impossibilitando assim o nascimento por via vaginal, então a natureza, muito sábia que é, encurta a gestação, encontrando um tempo de maturidade adequado para o nascimento do bebê, no qual ele consiga viver, mas que ainda seja possível o parto vaginal. Dessa forma ele teoriza que os bebês humanos nascem prematuros, que na realidade eles deveriam nascer de 12 meses e não de 9 meses como é, ou seja, 3 meses a frente do que é hoje, sendo esse o tempo que o bebê levaria para se adequar a vida fora do útero, tempo que ele chamou de Exterogestação.

Esses 3 meses é o tempo em que o bebê leva para enxergar minimamente, desenvolver, descobrir e reconhecer os próprios movimentos, ter uma certa liberdade motora, identificar minimamente que ele é um ser a parte da mãe, entre outros, essas características é o que faria ele estar mais próximo de um filhote de outra espécie, também nos faz entender que o bebê sendo colocado no mundo antes do que geneticamente, evolutivamente, seria o mais ideal, faz com que o mundo seja muito mais inóspito do que aparenta para nós, basta imaginar que você está a muito tempo em um quarto escurinho, aconchegante, coberto, recebendo tudo que precisa a todo tempo sem nem se quer pedir, ai vem alguém que diz que precisa sair, pois se não sair aquele momento não poderá mais, então você sai e se depara com algo muito mais claro e barulhento, só que você tem um grau altíssimo de astigmatismo/miopia e não consegue ver nada, não conhece aquele lugar que está, sente como se tivesse sido raptado e está com frio, pois a temperatura não é mais a mesma. Assustador não? Pois essa é a experiência do nascer, a ideia é que olhando para essa teoria se possa ajudar o bebê a ter uma adaptação tranquila, fornecendo o que precisa, suprindo suas necessidades. E quais são elas?

Para responder a essa pergunta primeiro precisamos entender como era a vida do bebê intraútero;

  • · No ambiente uterino o bebê não tinha variação de temperatura, ele estava sempre exposto a uma temperatura de mais ou menos 40 graus;

  • · Tinha alimentação sem intervalos, não havia a necessidade de pedir por alimento; por alimentação entenda que o bebê recebia tudo que precisava sem ter que pedir;

  • · Ambiente aconchegante, apertadinho, em que o bebê se sente completamente seguro, sem riscos;

  • · Movimentos estáveis devido a falta de gravidade intraútero em consequência do líquido amniótico;

  • · Presença da mãe 100% do tempo, o bebê está em contato direto com a mãe 100% do seu tempo, com seu cheiro, voz, etc;

  • · Ruídos constantes, o bebê ouvia 100% do tempo o corpo da mãe funcionando, o que promovia um ruído continuo;

Olhando essa lista nós podemos dizer que para ajudarmos os bebês a se sentirem mais seguros na vida fora útero podemos tentar reproduzir as sensações que eles tinham intraútero, a ideia é que eles não percam de forma brusca o contato e a vivência que tiveram intraútero sendo ainda tão imaturos e sensíveis (partindo do princípio que só deveriam nascer 3 meses após), cuidando da temperatura do ambiente e do corpinho do bebê; Fazendo aleitamento em livre demanda, utilização de banho de balde para reproduzir o aconchego do ambiente apertado com água, sling e/ou cueiro para o contato com o corpo da mãe e o ambiente apertadinho e ruídos brancos, e compreendendo acima de tudo que toda a vida extrauterina é assustadora para o bebê, pois tudo aqui é completamente diferente da vida intraútero.

Aqui eu quero trazer a discussão a ideia de bebê mimado, manter o bebê fora do colo, não querer que o bebê chore ou que durma sozinho sem ajuda, entre outras coisas que pedem que o bebê se vire sozinho. É de extrema importância que compreendamos o quão imaturos e indefesos nossos bebês são, eles não têm conexões neurais suficientes para ter uma visão plena, quanto mais ter conexões neurais suficientes para dormirem sozinhos ou ficar por horas no tapetinho de atividades, ou dormir longe da mãe, mamar apenas de 3 em 3 horas. É muito estranho, e prejudicial a saúde e construção da segurança do bebê, que exijamos de um recém-nascido que assim que nasceu se adapte rapidamente ao novo ambiente (completamente diferente) e as necessidades sociais de não ficar acordando a noite para se alimentar (ele tinha livre demanda 100% do tempo), que fique sozinho (ele tinha contato com a mãe 100%), que não chore (essa é a única maneira que ele tem de pedir por aquilo tudo que ele tinha 100% do tempo sem precisar pedir), entre outras coisas. Todo processo de adaptação requer tempo, ninguém deixa de fazer algo que fazia por muito tempo de uma hora para a outra e quando deixa (sendo um adulto já maduro) sente profundamente a mudança, tendo muitas vezes marcas dolorosas, é importante saber que os bebês só pedem aquilo que eles precisam, que é colo, atenção, alimento, aconchego, segurança, calor, e assim como todo processo evolutivo essas demandas passam, o que nos resta pensar é “ eu vou cuidar do meu filho de uma forma respeitosa, compreendendo sua imaturidade, respeitando aquilo que ele pode fazer, aquilo que tem capacidade para fazer, deixa-lo tranquilo e seguro, e consequentemente ter uma maternidade mais tranquila ou atropelar as coisas e prejudicar o desenvolvimento do meu filho enchendo seu sistema de cortisol pelo estresse que ambos passam?”, vale a reflexão!

 
 
 

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